Monitor de Inflação | Maio de 2022

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem, 09 de junho, o índice oficial de inflação referente ao mês de maio. O IPCA variou 0,47%, apresentando desaceleração frente ao mês anterior (1,06% em abril). No acumulado do ano, os preços ao consumidor subiram, em média, 4,78%. Já no acumulado em 12 meses, a variação foi de 11,73%.

A desaceleração pode ser atribuída à queda de 7,95% no custo da energia elétrica, o que fez com que o grupo de habitação apresentasse recuo de 1,70%. Em 16 de abril, cessou a cobrança extra de R$14,20 a cada 100 kWh consumidos, relativa à bandeira de escassez hídrica, passando a vigorar a bandeira verde, em que não há cobrança adicional na conta de luz. No gráfico abaixo, vemos a evolução da relevância de cada grupo ao índice geral, mês a mês.

Apesar da desaceleração, 8 dos 9 grupos apresentaram crescimento do nível de preços, fazendo com que o IPCA permanecesse com dois dígitos. A maior variação percentual veio do grupo vestuário, com alta de 2,11%, grupo impactado, principalmente, pela variação dos itens de ‘roupa masculina’ (2,65%) e ‘roupa feminina’ (2,18%).

O maior peso na inflação mensal, por sua vez, pode ser atribuído ao grupo transportes, com alta de 1,34%, cujo impacto foi de 0,30 ponto percentual (p.p.) na taxa do mês (fruto dos itens ‘veículo próprio’, com peso mensal de 11,18% e ‘combustíveis’, com peso mensal de 8,13%).

 

É importante notar que o efeito da política monetária mais restritiva, adotada pelo Banco Central do Brasil via aumento da taxa básica de juros, ainda não surte efeito consistente na redução da inflação. Isso porque o aumento ainda se dá de forma generalizada, apresentando um índice de difusão de 72,4%, isto é, dentre os 377 itens acompanhados pelo IBGE, 273 apresentaram alta de preços na passagem de abril para maio. Esse efeito ainda diminuto pode ter origem no fato de que a inflação atual não decorre apenas de uma demanda maior, mas também de choques de oferta, que provocam gargalos na cadeia produtiva, resultados do conflito entre Rússia e Ucrânia e da política Zero Covid na China, que tem causado ondas de lockdown.